COMISSÃO DE REATIVAÇÃO DE CONSTRUÇÃO DO MOCÃO - COM A PALAVRA: ELIAS SIUFI - PARTE UM  escrito em quarta 09 setembro 2009 13:47

Você confere agora a entrevista que nos foi concedida por Elias Siufi, no programa OPINIÃO ESPORTIVA da Rádio Expressão FM do último fim de semana esclarecendo acerca de como funcionará a Comissão de Reativação da construção do Mocão, bem como os litígios financeiros que tem que ser desembargados para o início da obra. A seguir, a primeira parte da entrevista que contou com a participação do Comentarista Esportivo Geraldo Sá.
 
Nairlan Clayton Barbosa: Dr. Elias Siufi,  Durante mais de 40 anos o senhor esteve à frente da Rádio Sociedade Norte de Minas, também da TV Montes Claros e por fim durante 13 anos na provedoria da Santa Casa de Montes Claros. O senhor atualmente preside uma Comissão responsável por construir o tão sonhado estádio municipal do Mocão. É por acaso que novamente o senhor mexe com o sonho do montes-clarense?
Elias Siufi: Eu já fui nomeado durante a segunda administração do atual prefeito para a gente recomeçar o Mocão, mas na época houve muita dificuldade por que o tempo era pouco, e como eu estava à frente da TV Montes Claros, era difícil dividir o tempo. Naquela oportunidade eu trouxe aqui em nossa cidade o Gil César Moreira que construiu o Mineirão, ele era muito amigo do Januário Carneiro, dono da Rádio Itatiaia de Belo Horizonte e meu sócio na TV, e pagou as passagens do Gil, que veio aqui, examinou o local da construção do Mocão. Ele viu o projeto, discutiu com o prefeito, havia algumas coisas erradas como por exemplo as cabines de transmissão do estádio que estavam de frente para o sol e isso com certeza iria atrapalhar os locutores a narrar os jogos. Não tinha entrada. O grande defeito do Mineirão era não ter um portão grande para entrar carros, e isso foi visto por ele. Outro problema que ele chamou a atenção foi o número de pessoas. Naquela época o Parque do Sabiá, em Uberlândia, tinha acabado de ser construído e ele foi contundente em dizer: "aquilo não vai encher nunca". Ele deu uma série de idéias. Disse que muitas bilheterias não funcionam e assim por diante. Outro assunto discutido foi também o problema da plantação de grama. Tivemos uma verdadeira aula de como se planta grama em grandes estádios...(risos)... a gente acha que plantar grama num estádio é coisa simples. E não é. Tem que ter um canteiro. E grama tem que ser tratada. Não tem esse negócio de tiririca. Ela deve ser tratada. Mas enfim, não deu certo naquela época. Os empresários não se interessaram, não havia verba do governo também naquela ocasião. Só tinha a Fábrica de cimento que se interessou. Havia um ISS devido, nós iríamos descontar, mas não deu certo. Eu também estava, como eu disse, a frente da TV, aí ficou complicado. Agora estamos nós diante desta nova empreitada. E agora existe uma vontade política de fazer. Muita gente confunde política com politicagem. Vontade política no sentido de servir Montes Claros. De  dar ao esporte a oportunidade de ter grandes times representantes em nossa cidade. Também uma pista de atletismo profissional, e de fazer um negócio sério. A segunda vontade é a própria vontade do povo. Temos também o interesse do governo federal, por que nós temos uma Copa do Mundo acontecendo em 2014 no Brasil. Para se ter uma idéia, Montes Claros pode se tornar uma sede de uma dessas seleções que virão para a disputa do mundial. Vamos ter times jogando em Brasília, em Salvador e em Belo Horizonte. Nós estamos a uma Hora de Avião dessas três cidades. Poderemos muito bem ter uma seleção treinando aqui. Para se ter idéia, Sete Lagoas já tem verba para que possa adaptar seu estádio para receber uma seleção para treinar. E só se tem conhecimento dessa cidade se mobilizando para a Copa. Aqui nós vamos jogar tudo. E, importantíssimo, temos o apoio do Secretário Adjunto do Ministério dos Esportes. Ele está entusiasmado por que o Mocão, diferentemente dos outros estádios que precisam ser construídos e começar do zero, ele tem uma parte pronta. Tem uma drenagem que precisamos melhorar. E temos também o barranco, que facilita em muito construir as arquibancadas de concreto. É simplesmente uma questão de fazer cortes no barranco. Nesse caso você vai poder fazer um Estádio com seis mil, sete mil, oito mil ou doze mil lugares. É só ir expandindo as arquibancadas. E mais importante, estamos fazendo isso com muito pé no chão. As pessoas se perguntam quando irá começar, é hoje, ou amanhã, mas não é bem assim. Existe o projeto, ele já está pronto. Evidentemente ele precisa de melhoras por que em cada ano que passam modificam-se as coisas e novidades aparecem no mercado. Nós temos um problema na Caixa Econômica Federal que é muito rigorosa para liberar os recursos. Se você não põe o ponto e virgula, ela não libera.  Se você tirar o ponto e por só a virgula, ela também não dá o dinheiro. Temos duas contas que juntas perfazem o total de dois milhões, quatrocentos e cinquenta mil reais disponíveis. Uma parte desse dinheiro já foi gasto com a ferragem do estádio. Houve um impasse sobre quem podia ter comprado este ferro, portanto, ainda em discussão. Nós vamos até Belo Horizonte no órgão que fiscaliza todo esse dinheiro do governo para limpar este problema que está travando a construção do estádio. Temos que apresentar notas, temos que justificar os gastos e até mesmo aquilo que não foi gasto. Precisamos de plano de obra, precisamos da planilha, enfim, tudo que possa servir aos interesses deste órgão fiscalizador. Já temos um milhão e pouco liberados, a prefeitura pretende entrar com mais 800 mil reais. São dois Milhões que a gente vai começar. Não dá, a gente sabe que não. Ainda tem as licitações a serem feitas, e todos os impasses a serem resolvidos. Acredito que até ano que vem solucionamos tudo isso. Solucionado podemos começar a construir. Se começarmos, aí ele nao pára mais. Tem sempre aqueles que querem colocar tenda, armar barraca e soltar foguetes. Nós não vamos fazer nada disso. Nós estamos com os pés no chão. A equipe formada tem Jornalistas, tem empresários, tem desportistas, e nós vamos sentar e conversar.
 Nairlan Clayton Barbosa: Que critério foi utilizado na escolha deste nomes desta comissão e não haveria lugar para um sangue jovem, renovador, ocupar um espaço nessa comissão?
 Elias Siufi: Foi uma escolha apartidária. Não houve preocupação com partidos. Houve preocupação se eram pessoas ligadas ao esporte. Essa foi uma comissão rápida formada pelo Prefeito e que está aberta a convocação de mais pessoas. Eu como presidente vou convocar mais pessoas. Vamos ter mais gente que queira trabalhar pelo esporte. Não se faz um estádio deste sozinho. E nós não estamos interessados em quem não fez ou deixou de fazer. Queremos liberar este recursos na Caixa Econômica para começarmos a receber outros recursos. Nós vamos atrás de empresários. Vamos atrás do próprio governo. Vamos ver se conseguimos que venham verbas através de emendas dos próprios parlamentares. Se cada um dos deputados estaduais conseguirem liberar de 200 a 500 mil, teremos cerca de quatro milhões de reais, por que são nove parlamentares. Se tivermos também emendas de bancadas, poderemos ter mais dois ou três milhões em caixa. Vamos atrás, vamos correr, vamos buscar patrocinadores que interessem em patrocinar alguma coisa. Podemos utilizar como exemplo o time do Vôlei. Temos como exemplo o Ginásio. Tava um caco. Você vai hoje no Ginásio você não acredita. Temos tudo pintado, as arquibancadas, vamos trocar o piso, colocar seis mil cadeiras a partir do dia 8 de setembro, terça feira, 300 cadeiras para as autoridades, placar eletrônico, e tudo está sendo assistido pelos bombeiros. Toda a iluminação será trocada, e será organizado um jogo de reinauguração com um processo muito bem organizado. Mas construir um estádio de futebol é algo muito maior do que um Ginásio poliesportivo. O Mocão é muito maior, e com um detalhe, nós não temos o direito de errar mais. Já erramos demais. Ou dessa vez ele sai, ou a gente sepulta a idéia definitivamente. Mas agora temos grandes motivos para seguir adiante: A vontade política e a proximidade de uma copa do mundo. Montes Claros poderá ser projetada para o mundo. Hoje mesmoa as pesssoas se perguntam: Onde é essa Montes Claros onde o Brasil vai enfrentar a Seleção americana?
Quando fomos presidente do Conselho de Desenvolvimento de Montes Claros ninguém acreditava que pudéssemos reunir empresários numa quarta feira para um almoço que tivesse a oportunidade de vender a imagem da nossa cidade. Mas nós conseguimos. Então a construção de um estádio das proporções do Mocão também puxará para Montes Claros as luzes do Brasil, os holofotes do país para aqui.
 Geraldo Sá: O senhor confirma o interesse do empresariado na construção do Mocão e o senhor confirma também quais os valores já disponíveis para a realização do início da obra?
 Elias Siufi: Antes da liberação destes dois milhões nós já perdemos cerca de um milhão e meio com as administrações passadas. Estamos buscando estes dois milhões e pouco. Já foi gasto uma parte com ferro. Fora isso existem outros convênios parados dentro da caixa econômica federal, não quero criticar ninguém, mas temos convênios parados e sentimos um interesse muito grande por parte da caixa para tocarmos o projeto.
 Geraldo Sá: quer dizer que o canteiro já está aberto no Mocão?
 Elias Siufi: Não, ainda não, precisamos primeiro resolver esta parte burocrática, depois para a parte de licitação da obra, e depois enquanto estivermos gastando os recursos já disponíveis, estaremos buscando novos recursos. Mas primeiro temos que arrumar isso tudo. Limpar os problemas burocráticos, para depois arregaçarmos as mangas.
 Geraldo Sá: Essa Comissão de reativação será organizada juridicamente ou apenas terão uma ligação com a prefeitura?
 Elias Siufi: Não. É apenas uma Comissão delegada pelo prefeito e tudo estará ligado a prefeitura para resolver os problemas ou determinar os assuntos.
Nairlan: Já existe uma função específica para cada membro da Comissão?

 Elias Siufi: Não. As pessoas até me perguntam afoitas na rua quando começa. Mas é preciso ter calma. A própria Comissão está apreensiva, mas foi como eu disse. Nós ainda não temos parecer de como vai ser o processo. Nós temos que ir primeiro a Belo Horizonte, aliás, já estivemos lá, já oficializamos, iremos na próxima semana até a capital e sairemos de lá já com tudo definido. O mais importante já está pronto que é o projeto. O que precisamos é liberar isso. Liberou, licitou, é começar. Agora quando isso será feito? É hoje, é amanhã, é janeiro, é fevereiro ou é Março? Nós acreditamos que no princípio do ano nós já tenhamos essa definição. Vamos trabalhar este fim de ano agora, para quem sabe no próximo ano podermos começar os trabalhos. Se trabalharmos com rapidez, poderemos sim ter já no começo do próximo ano o início da obra.

 Geraldo Sá: Dr. Elias, projeta-se para daqui dez anos uma população estimada em cerca de um milhão de pessoas para nossa cidade. Considerando esses dados, qual seria a capacidade boa para o Mocão?

 Elias Siufi: A capacidade ideal seriam 30 mil lugares. O Parque do Sabiá tem espaço para 40 mil em Uberlândia com aquela região toda próxima. Por que não é só a cidade, mas sim todo o redor participa dos eventos esportivos. Mas não adianta também ter um estádio com 30 mil lugares que você não irá enchê-lo nunca. Talvez com um Atlético e Cruzeiro se todo o norte de minas vier você enche o estádio. Isso vai gerar uma mão de obra danada se formos querer fazer agora. Por isso o Prefeito optou por fazer com capacidade para oito mil lugares e quando houver mais recurso ele vai estendendo até chegar ao espaço dos 30 mil lugares.

 Nairlan Clayton Barbosa: Uma vez que como o senhor disse a própria Comissão ainda está em fase de formação e de que haverá muitas reuniões até que se chegue a um consenso final, nós gostaríamos de fazer um pedido: Que o senhor pudesse informar a nós, profissionais da imprensa acerca dessas próprias reuniões. Para que da nossa parte, nós possamos informar nossos leitores e nossos ouvintes, pois criou-se uma expectativa a partir desse anúncio de retomada do Mocão. E são 30 anos de sonho,não é mesmo? A população vai querer saber notícias do andamento da coisa.

 Elias Siufi: É que nós também ainda não temos nada pra falar, mas pode ficar tranquilo, que assim que tudo for acertado, como  a gente é da comunicação nós vamos sim informar a imprensa, vamos enviar releases, vamos mesmo precisar da imprensa, e não vamos abrir mão dela para fazer essa campanha da mobilização da construção do Mocão e isso é muito importante, pode ter certeza que é. Mas sobretudo é importante que a imprensa não veja isso como um fato político. Pessoas de partidos contrários foram colocadas na Comissão.

 Nairlan Clayton Barbosa: Independente do partido político, toda ajuda será bem vinda?

 Elias Siufi: Toda ajuda será bem vinda. O dinheiro chegando ele não tem cor não, pode ter certeza, ele não tem cor. As pessoas também que quiserem colaborar, podem vir, nós estamos prontos a recebê-las. Mas eu insisto em dizer. Vamos fazer barulho quando for o tempo certo. Tem gente querendo fazer Leilão de carros, essas coisas todas, mas o tempo não é esse, nós não temos nada, vamos fazer como se nem o canteiro de obras nós temos? Vamos começar fazendo um check-listing do que precisa e  depois chegaremos a um resultado final.
Geraldo Sá: Nós temos visto a chegada de muitos empresários na nossa cidade e muitos se deram bem. O senhor como um profundo conhecedor disso, poderia nos informar qual a visão desses empresários quanto ao futuro do esporte em nossa cidade?
 Elias Siufi: Na verdade nós não tivemos ainda nenhum contato. O empresariado está muito assustado não só com a área esportiva mas sobretudo com o poder econômico do mundo. Nós tivemos esse baque de juros na venda de produtos para o exterior, caiu muito o setor de exportação, mas mesmo assim nós acreditamos que a receptividade será muito boa através da própria divulgação do nome de Montes Claros, de que ela vai ser lembrada, ouvida, vista. Nós estamos com um time de Vôlei que tem sido visto dentro e fora daqui. Quer dizer, o mundo do vôlei de Montes Claros é o mundo do vôlei pra fora de Montes Claros. Nós precisamos mostrar as coisas boas que Montes Claros tem. Eu acredito numa transformação do próprio empresariado de Montes Claros. Eu não acredito na Sudene. Temos que dar incentivo a quem aqui quiser se instalar. Por que os empresários correram de São Paulo, por causa da briga dos sindicatos. Eles nem estão brigando mais, por que o Lula deixou de ser sindicalista. Ele nem sabe mais o que é isso. Eu nem vejo mais o Lula assinando documento. Tenho visto ele viajar muito, mas assinando documento não. O Artur Virgílio disse que está doido para ter uma foto dessa (risos...). Mesmo assim o governo brasileiro está dando certo e o país está aí e está crescendo. Assim também é Montes Claros. No momento que você divulga Montes Claros no futebol, no vôlei e em outros eventos você cria o interesse de investimentos em nossa cidade. E as pessoas tem que entender que acabou aquela velha briga política. Vale a velha flexibilidade mineira e o jogo de cintura.

 Geraldo Sá: Doutor Elias, eu tenho conhecimento de algumas cidades que a custa do esporte se tornaram notabilizadas. Em Minas Gerais eu cito duas: Ipatinga pelo futebol e Uberlândia pelo Basquete. Montes Claros eu acredito que depois do futebol e do vôlei possa sim ser outra cidade. O senhor concorda que a notabilidade esportiva aqui vai ser importante para a Macro-região?

 Elias Siufi: Concordo e acredito plenamente. Mas tem que ter um começo. No momento que a gente começar, muita coisa virá, pode acreditar que virá

 

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